A teoria dos valores ou axiologia surge em qual século é uma questão que remete às primeiras reflexões sistemáticas sobre o que dá sentido, valor e significado à vida humana, aparecendo de forma mais organizada a partir do século XIX, embora suas origens filosóficas sejam muito anteriores.

Origens Filosónicas e o Surgimento da Axiologia

A busca por entender o valor não é nova; ela permeia desde as primeiras especulações filosóficas na Grécia Antiga, com Sócrates, Platão e Aristóteles, que discutiam a virtude, o bem e a felicidade como ideais a serem alcançados. No entanto, o termo "axiologia", derivado do grego "axios" (valioso) e "logos" (estudo), só passaria a ser usado de forma mais formal e consolidada no cenário acadêmico mais tarde. Antes disso, as discussões sobre ética, estética e metafísica estavam dispersas e ainda não constituíam um campo de estudo autônomo focado exclusivamente na análise sistemática dos valores.

O surgimento da teoria dos valores ou axiologia como disciplina filosófica propriamente dita está intrinsecamente ligado ao contexto intelectual do século XIX. Nesse período, marcado pelo ceticismo em relação ao metafisismo tradicional e pelo surgimento do historicismo, os filósofos começaram a questionar não apenas o que existe, mas também o que deveria ser valorizado. Pensadores como Franz Brentano, cujo trabalho "Psychologie vom empirischen Standpunk" (1874) influenciou profundamente a fenomenologia, e Theodor Lipps, com sua teoria da "efetivida valorização", sentaram as bases para que a análise fenomenológica dos atos valorativos se tornasse central, consolidando a axiologia como campo de investigação distinto.

Max Scheler, Nicolai Hartmann, teoría de los valores - Maeoffice
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O Século XIX: A Consagração da Axiologia

No panorama do século XIX, a axiologia emergiu para preencher uma lacuna crucial. Enquanto a filosofia da natureza e da lógica dominavam as discussões, surgia a necessidade de um campo que dedicasse atenção exclusiva ao domínio dos valores, seja ele estético, ético ou religioso. Esse interesse manifestou-se em correntes como o idealismo alemão, que via na consciência absoluta a base para a valorização, e no utilitarismo, que propunha a maximização do bem-estar como princípio condutor, embora com abordagens distintas sobre a natureza do "bom".

Essa época foi crucial para a definição da teoria dos valores ou axiologia porque estabeleceu que o fato de algo ser "valoroso" não reside apenas na sua existência factual, mas na sua relação com o ser humano e seus fins. A crítica à metafísica dogmática levou os pensadores a buscar fundamentos para os valores na experiência subjetiva, na intuição ou na vida em sociedade, transformando a antiga filosofia normativa em um campo de estudo mais sistemático e reflexivo, que buscava entender como e por que as coisas são valoradas.

Tramites do Século XX: Da Filosofia à Psicologia

O século XX viu a axiologia se expandir e se ramificar, influenciada por diversas correntes filosóficas. No campo da fenomenologia, Husserl e seus seguidores dedicaram atenção ao cerne da experiência valorativa, enquanto no existencialismo, com Sartre e Heidegger, a questão dos valores tornou-se intrínseca à condição humana e à liberdade individual. Simultaneamente, nos Estados Unidos, a escola pragmatista de Dewey via os valores como produtos da interação homemMeio Ambiente, enfatizando a dimensão instrumental e consequencialista da avaliação.

Max Scheler, Nicolai Hartmann, teoría de los valores - Maeoffice
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Além disso, a teoria dos valores ou axiologia sofreu uma importante transição ao entrar em diálogo (e muitas vezes conflito) com as teorias científicas. A crescente ênfase no positivismo e no behaviorismo fez com que alguns pensantes reduzissem o domínio dos valores a expressões de preferência ou estados emocionais, questionando a sua objetividade. Esse debate sobre a natureza dos valores — se eles são fatos "dados" ou construções subjetivas — marcou profundamente o século XX e continua a ser um dos principais pontos de discussão na ética contemporânea, refletindo a complexidade de se pensar a axiologia.

Século XXI: Desafios e Perspectivas Atuais

Entrando no novo milênio, a axiologia encontra-se em um cenário globalizado e tecnológico, confrontada com desafios inéditos. A pluralidade cultural, a crise de sentidos e a rápida transformação digital forçam a teoria dos valores ou axiologia a se renovar constantemente. Filósofos contemporâneos, como Axel Honneth, ao desenvolver sua teoria do reconhecimento, e aqueles que dialogam com a ética das virtudes, atualizam os debates clássicos, integrando perspectivas sociais, psicológicas e até neurocientíficas sobre a origem e a aplicação dos valores.

Hoje, a axiologia não é mais um campo isolado, mas um espaço de diálogo interdisciplinar. Ela se entrelaça com a psicologia, a sociologia, a economia e a tecnologia, buscando entender, por exemplo, como algoritmos moldam nossas prioridades ou como as mudanças climáticas exigem uma repensada ética ambiental. O século XXI demonstra que a questão "a teoria dos valores surge em qual século" não é apenas histórica, pois a resposta evolui conforme nossa compreensão sobre a natureza do valor se aprofunda, refletindo as complexidades da condição humana contemporânea.

Hierarquia e Definição dos Valores | PDF | Axiologia
Hierarquia e Definição dos Valores | PDF | Axiologia

Conclusão: Uma Pergunta em Constante Evolução

Portanto, quando indagamos sobre a teoria dos valores ou axiologia surge em qual século, a resposta mais precisa é que sua formalização como disciplina filosófica ocorreu principalmente no século XIX, embora suas raízes sejam muito mais antigas. No entanto, o verdadeiro significado dessa pergunta transcende datas exatas, pois a teoria dos valores ou axiologia é um campo vivo, em constante transformação, que reflete as preocupações e os desafios de cada época. Desde as primeiras especulações até as complexas discussões atuais sobre ética e tecnologia, o estudo dos valores permanece central para entender o que significa ser humano.