Ela Mesma Ou Ela Mesmo
A discussão sobre ela mesma ou ela mesmo é uma das questões mais recorrentes na gramática e na escrita em português, pois envolve a concordância entre pronomes, adjetivos e substantivos em situações de referência a mulheres.
Entendendo a base: o pronome “ela” e os adjetivos
O pronome ela é a forma feminina do pronome pessoal de terceira pessoa do singular e, por definição, já traz em sua essência a ideia de feminilidade. Quando usamos ela, automaticamente estamos falando de uma mulher, de algo considerado feminino ou de uma entidade com genderação feminina na língua. Por isso, em regra geral, a ligação com adjetivos e pronomes que a acompanham devem respeitar essa característica feminina, como em “ela mesma falou” ou “aquela menina alta”, onde “alta” concorda com o substantivo feminino “menina”.
O adjetivo ou pronome que acompanha ela deve concordar em gênero e número, e não apenas em pessoa. Isso significa que, mesmo que o substantivo subentendido seja masculino no objeto da fala, se quem age ou é descrito é do sexo feminino, a forma correta continua sendo a feminina. Exemplos claros incluem frases como “Maria disse ela mesma” e “a presidente afirmou ela mesma”, onde o sujeito feminino exige a concordância feminina no pronome e no adjetivo.

Quando usar “ela mesma”
A forma ela mesma aparece em situações que reforçam a ideia de autoria, identidade ou totalidade relacionada a uma mulher. Ela é usada para enfatizar que a ação volta para a própria feminina, destacando autonomia, participação ativa ou caráter pessoal. Frases como “Ela mesma resolveu o problema” ou “Fiz o trabalho ela mesma” ilustram bem como o pronome e o adjetivo feminino reforçam que a mulher é a agente direta e exclusiva da ação.
Além disso, ela mesma funciona como elemento complementar em construções mais formais ou literárias, onde a repetição do gênero feminino tem valor estilístico. Nesses casos, o uso do adjetivo feminino antes do pronome aumenta a clareza e evita ambiguidades, especialmente em textos longos ou com múltiplos personagens. Manter a concordância nesses momentos é essencial para garantir fluência e precisão na comunicação.
O uso de “ela mesmo” e por que geralmente está errado
A forma ela mesmo é gramaticalmente incorreta na maioria dos contextos, pois mistura um pronome feminino (“ela”) com um adjetivo masculino (“mesmo”). Isso causa uma contradição de gênero que viola as regras de concordância nominal no português. Enquanto “mesmo” no masculino se adapta a sujeitos como “ele” ou “homem”, em situações que envolvem uma mulher a forma correta é sempre “mesma”, conforme em “ela mesma”.

Há exceções raras e regionais, mas elas não são aceitas no português padrão falado e escrito no Brasil e em outros países lusófonos. Portanto, ao revisar um texto, é essencial verificar se a escolha foi “ela mesma” e não “ela mesmo”, mesmo que a confusão pareça sutil. A atenção a esse detalhe evita marcas de informalidade ou erro e ajuda a manter a profissionalidade da escrita.
A importância da concordância para clareza e profissionalismo
Usar ela mesma da forma correta não é apenas uma questão de regra gramatical, mas de clareza e profissionalismo. Em comunicações empresariais, acadêmicas ou jornalísticas, a concordância adequada transmite confiabilidade e respeito ao gênero feminino. Erros como “ela mesmo” podem distrair o leitor, criar ambiguidade e diminuir a credibilidade do texto, mesmo que a intenção seja apenas enfatizar a autoria.
Para evitar equívocos, é útil revisar as frases e substituir mentalmente “ela mesmo” por “ela mesma” em voz alta. Com a prática, o ouvido aprende a reconhecer a discordância e corrigir naturalmente. Manter a consistência na concordância de gênero ajuda a construir textos mais fluidos, precisos e inclusivos, refletindo um uso consciente e respeitoso da língua portuguesa.

Dicas práticas para acertar sempre
- Sempre que usar ela como sujeito ou objeto, acompanhe com mesma para reforçar a ideia de autoria ou totalidade: ela mesma.
- Evite a forma ela mesmo, pois o adjetivo masculino não concorda com o pronome feminino.
- Em situações de dúvida, reescreva a frase com outro pronome ou substantivo para evitar ambiguidade, mantendo a clareza.
- Revise os textos focando na concordância de gênero, especialmente em orações com pronomes e adjetivos.
Conclusão
A escolha entre ela mesma ou ela mesmo vai muito além de uma preferência pessoal, pois está diretamente ligada às regras de concordância nominal que estruturam a gramática do português. Optar sempre por ela mesma quando se referir a uma mulher é garantir clareza, profissionalismo e respeito à língua. Com atenção e prática, evitar erros torna-se hábito, e a comunicação torna-se mais precisa e elegante em qualquer contexto.
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